segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Conselho (da reprodução das relações) de classe


Reunidos no palácio da (in)justiça escolar
Docentes desprovidos de doçura destilam preconceitos
Vestidos com o manto da pseudo-sabedoria e da pseudo-erudição
Estes Hobbin Hoods às avessas
Preparam-se para vingar-se daqueles
Que felizmente se lhes opõem resistência
Aqueles aos quais se quer diminuir
Aos quais se quer uniformizar
Ora, nada disso tem relevância
Fundamental no ensino é o meio
Maneira de descontar no aluno
Lhe tirar toda a luz
Descarregar nele toda a carga de ódio
Acumulada na dupla frustração
Do anonimato e da insignificância
E estes doentes
Docentes
Se refestelam em escárnios, rancores e sadismos
Em injustiça e discriminação
A indiferença discente é insuportável
Aos humores narcísicos professorais
Importante é aplicar esta vendeta
É castigar, prolongar o sofrimento
Que é estar preso nesta masmorra moderna
Fazer com que o outro prove
Por mais um ano
Esta comida amarga
Que lhe obrigam a ingerir
Em empurrar para o precipício
Quem à beira dele se encontra


Professor, um erudito ?


Professor, um erudito ?
E os erros ditos ?
E os erros disso ?
Disso da dissolução
Do saber espontâneo
Do riso e das rimas
E o erro disso ?
Disso da sociedade
Maquinar e dissolver
E sujeitar o sujeito
De privá-lo de ser sujeito
De torná-lo predicado
E objeto e agente
Mas só da passiva
E bancário que senta no banco
Nunca banqueiro
Se for pobre, for preto, no banco a porta trava
As balas não são perdidas
Têm classe, cor e endereço
Mas este povo é mestre
E artista
Na arte de sobreviver
Espremidos nas vielas, enlatados
Nos trens lotados
Pagando a paga do trabalho
A praga do trabalho
Muitos ficam pelo caminho
A meio caminho da escola
E do esculacho
Resistindo a ser escolachados
Ainda bem !