sábado, 28 de novembro de 2020

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Exaustão

 


Exausto de fazer doer
E sentir dor
Exaurido de estar a par
De estar à parte
E de aparecer
De consumir
Ser consumido 
E não poder sumir
Cansado de tentar amar
De ter amado 
De tentar ter desamado
Cansado desses desalmados
Esgotado da tristeza 
Daquela que vem em enxurrada
Ou a conta-gotas
Estafado 
De escrever e de rimar
Do limite e do limiar 
Dos homens sábios
Dos homens néscios
Do homo sapiens 


domingo, 1 de novembro de 2020

Sem título

  Em tempos de pandemia e amor líquido

Caçar namorada ou namorado

Com instituições em agonia

É quase almejar um emprego precarizado

Sigo focando nos meus ínclitos

Amigas e amigos

Que só me entristecem 

Porque a peste

Nos tem afastado


@alemarquesfreitas

domingo, 11 de outubro de 2020

Ceteris paribus

 No princípio, era o caos

Vírus causa mortis

Em terras brasilis 

Em quaisquer cantos

Em quaisquer pólis

A começar pelos aristos

Que, depressa, ariscos

Entricheiraram-se 

Houve lágrimas, a princípio

Nunca é certo

Quando a morte sai errando

Quem mais errou ?

Quem errou mais ? 

I don't know

Mas...constante tudo o mais

Ceteris paribus 

A vida de muitos 

Não vale a luta

E nem o luto

Sorria ! 

Você está 

Numa rede (de controle) social . 


sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Memento mori

 

No que compete ao inconsciente
Estruturar-se como linguagem
Talvez me fosse lícito sentir saudade
Contudo, aquilo que a registrar
A linguagem se arvora
Também se apaga (o que dirão as línguas mortas ?)
E o TBT também titubeia
Confrontado com tanto Thanatos
Que o momento mesmo
Está mais para
Memento mori

@alemarquesfreitas
obitoarido.blogspot.com

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Morte de produção

Não se tratava de medo
Mas de precaução
Afinal
De canja de galinha
E prudência 
Pode-se não gostar
Mas não fazem mal
É uma guerra
Não convencional 
Um inimigo invisível
Nem vida própria tem
Esse vírus
Imperceptível
Quando se instala
Vira um pedaço da gente
Leva as vidas das gentes
Não sem colaboração 
Que sem gente 
O parasita é inerte
Não era uma luta franca 
E sim um jogo de esquiva
Fingir que era uma dança
E esperar o momento certo
Não devia ser difícil
Quando para o homem
A natureza agradece
Nem era um sacrifício
Tínhamos um combinado
Nenhuma alma ceifada à toa
O exemplo do horror já víamos
Fazer nada era a boa 
Quando um não quer
Vírus não fica
Contudo, quisemos
Menosprezar a vida
Em prol do quê mesmo ? 
Ninguém nem sabe mais ! 
Um prazer suicida 
Uma riqueza miúda
Que o dinheiro gordo 
Não muda de mãos
Morreu de quê modo ? 
Do modo de produção. 






quinta-feira, 16 de julho de 2020

Seleção Artificial

Decrepitude
Fragilidade
Razão segunda do sofrimento
Eventualmente mitigável
Por fim, inevitável
Natureza : móbil às vezes previsível
Nem sempre controlável
Ação humana
Terceiro motivo da dor
Inação humana
Em meio ao caos
Aumentam casos
Padecimentos
Falecimentos
Imunidade de rebanho ? 
Humanidade de rebanho ! ! 
A ser abatido 
Artifício
Seleção
Artificial ! 

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Causa mortis


Calamidade
Uma sociedade que não silencia
Ubiquidade
Pandemia
Em cada canto
Em todo canto
Onipresente
A morte presente
De quem ?
Dos deuses ?
É bem melhor que não existam
Teriam que prestar contas
Deste morticínio
Por que não paramos ?
No passado
E no presente
Escolhemos o genocídio
Preferimos o vírus
A causa mortis
A causar mortes
Sabe
O mundo quer um descanso
Do homo sapiens
Vai dormir
Que o teu mal é sono
Ou o mal é o teu sonho ?
obitoarido.blogspot.com
@umaletraqualquernota


sábado, 25 de abril de 2020

Quarentena

Na Quarentena caretena
O que causa cansaço
É a cooptação constante 
Da caretice capitalista
Que não carece de querer
Cumprir com o compromisso
De colocar qualquer coisa
Com o que ocupar-nos
Culpar-nos
Como quem quer cortar
Quer censurar, criticar 
Quem quer quarentenar
Livre de lives, livre de livros
Staying alive já é um grande lucro
Em tempos de grande risco
Livrai-nos de limites
Que a situação já é limítrofe
Queremos casa, cama, comida
Canções, colchões
Quilos as mais 
Capitalistas, nos deixem em paz