O amor é falta, carência
Se estiver certo o Platão
Então do Eros a pertinência
Seja prover-nos a privação
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@obitoarido
O amor é falta, carência
Se estiver certo o Platão
Então do Eros a pertinência
Seja prover-nos a privação
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O talento e a beleza são inegáveis
Todavia, não geram nenhum tostão
Ora, o que fazer com este amor
Tão pobre, porém
Ainda
Tão bom ?
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Os meios de produção
Compram o proletariado
Mas este amor sem capital
É um apaixonado alienado ?
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Neste romance
Você tem a grana
E ele não
Seria ele
Um amor peso-morto
Então ?
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Num clique
Amores efêmeros
Num crush
Afetos fugazes
Num tweet
Um peito partido
Nalgum canto
Alguém busca
Um sentido
Em todo o canto
A superfície
A tapar a paisagem
Um edifício
Existir ?
Niilismo
Um suplício
É difícil
Alexandre Marques de Freitas / obitoarido.blogspot.com
2026 no calendário gregoriano
E ainda é possível matar 121 corpos negros
E os responsáveis saírem ilesos
Ou em nome de uma divindade sanguinária
Negar a crianças palestinas
Até mesmo ajuda humanitária
Há quem queira comemorar
Um estado de pleno emprego
De empregos que nada têm de plenos
Há quem prefira a inteligência artificial
Ao esforço cognitivo natural
Que escolha a indiferença
No lugar da empatia
Que apoie quem de estados e pessoas
Viola a soberania
Uma volta em torno do sol
Um ano
Uma volta em torno si
Um dia
Quando volto e olho o entorno
Só vejo o fim
Dos sonhos e das utopias
Alexandre Marques de Freitas
@obitoarido.blogspot.com