segunda-feira, 3 de abril de 2017

Com sumir

Nas sombras do tempo insuficiente
Ou de seu discurso
Há muito mais o que se apurar
Do que sonha ou imagina
A nossa nem sempre tão vã filosofia
É um cada qual com o seu cada quê
E cada um qual um planeta distante
Em movimento de rotação em torno do eu mesmo
Sem luz própria, promovem um sobreinvestimento na subjetividade
Nada de sui generis, sujeitos genéricos
Saídos de impressoras 3D da psique
Em condições perfeitas para consumo
Em condições perfeitas para o consumo
E o tempo em que consomem
E que os consome
É também o que some
Mesmo quando gasto numa batalha contra o consumo
Ao consumo volta para justificar a consumação do consumo
Os trabalhadores precarizados e alienados, tudo produzem
E, conseguintemente , têm o direito de a tudo consumir
Igualmente de forma precarizada e alienante
E alienada
E consumado o consumo
O sumiço é o supra sumo
E os sumo sacerdotes do fetiche da mercadoria
E da subjetividade
Adentram o santíssimo e preparam os seus rituais
De compra e venda
E nos templos modernos em que
O deus mercado tudo vê, tudo pode e tudo sabe
Zumbis do consumismo se instalam
E somem
Dos parques, das hortas, do chamego, do carinho,
Do afago, do cuidado com o outro
E do sumiço ao que importa,
Ressurgem, aparecem
E aparecem somente para aparecer
E por aparecer
Pelo menos, é o que parece.


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