Nas datas comemorativas,
o imperativo categórico da felicidade manufaturada impera :
Esteja alegre de tal
forma que a régua com que mede o teu regozijo seja a mesma com que
mensura a satisfação alheia.
E alheios ao sofrimento
que é a regra geral da grande maioria, uma minoria que come, que
bebe e que mora, comemora. Entopem-se de esperança esperando para si
mesmos que alguma força cósmica ou divina lhes traga sucesso.
O sucesso – esta
coisa tão capitalista !
Aos desvalidos, resta
suplicar pela sobrevivência às mesmas divindades.
E à meia-noite, a vida
manter-se-á tão vazia de significado como no minuto anterior.
Desejos de paz acompanhados do desejo de não perder as posses e de
ter a posse de uma arma para matar os despossuídos possuirão as
pessoas de bem.
Estas pessoas de bem
que acreditam no Messias. Não no Messias raiz, que distribuía
comida aos pobres e perdoava ladrões.
O Messias moderno,
quiçá o mais medieval dos brasileiros ,promete instituir a guerra
de todos contra todos ( quem disse que o estado hobbesiano era apenas
uma dedução lógica, hein ? ) e abandonar o meio-termo, o diálogo,
as metáforas e as meias palavras. Morte aos pobres e a todos os que
deles gostam - estes comunas !
Sobre o ano novo, ah,
os homens têm esta mania de contar e registrar.
E de desejar desejando
somente aquilo que lhes falta.
2018 já provamos e,
mesmo que tivesse sido bom ( e não foi !!!), não o quereríamos
mais.
O ano que se avizinha
pode não ser promissor.
Pelo menos não o temos
e, assim ,o desejamos.
Parece pouco
E é mesmo, se o desejo
for apenas falta.
Entretanto, e se o
desejo for pulsação, produção, criação ?
Se for reinvenção,
singularidade , originalidade e pulsação ?
E se...
O realismo que impede qualquer aspiração otimista sobre o nosso tempo...
ResponderExcluirEu gostei.