sábado, 19 de outubro de 2019

Óbito árido


Obituários registram
Os óbitos áridos
Mortos, óbvio, pardos
Pretos, pobres sem rumo, sem lastro
E a morte tem qualquer coisa que pulsa
Que floresce ao destruir sem deixar rastros
Destruamo-nos a nós mesmos
Que é melhor que morrer de balas a esmo
É preferível o nada
A morrer de morte matada
Pode ser tolice querer dar guarida
A uma morte morrida
Pois que não nos deixam partir em paz
Por que não nos deixam partir em paz ?
Há que se morrer em doses
No trabalho, na família, nas dívidas
Na pólis, na polícia
E da polícia
No campo, no campus
Nas celas, favelas
Divididos, endividados.


Nenhum comentário:

Postar um comentário