Obituários
registram
Os
óbitos áridos
Mortos,
óbvio, pardos
Pretos,
pobres sem rumo, sem lastro
E
a morte tem qualquer coisa que pulsa
Que
floresce ao destruir sem deixar rastros
Destruamo-nos
a nós mesmos
Que
é melhor que morrer de balas a esmo
É
preferível o nada
A
morrer de morte matada
Pode
ser tolice querer dar guarida
A
uma morte morrida
Pois
que não nos deixam partir em paz
Por
que não nos deixam partir em paz ?
Há
que se morrer em doses
No
trabalho, na família, nas dívidas
Na
pólis, na polícia
E
da polícia
No
campo, no campus
Nas
celas, favelas
Divididos,
endividados.
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